Durante muito tempo, falar em tratamento do colesterol significava principalmente falar em estatinas.
Elas continuam sendo a base do tratamento para redução do colesterol LDL e prevenção cardiovascular. Mas, em 2026, o cenário está ficando muito mais amplo.
Novos medicamentos, diferentes mecanismos de ação e estratégias para melhorar a adesão estão mudando a maneira como os médicos podem lidar com pacientes que não conseguem atingir suas metas de LDL apenas com o tratamento convencional.
E uma das novidades mais interessantes acaba de chegar:
pela primeira vez, um medicamento que bloqueia a PCSK9 pode ser tomado em comprimido.
A Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, aprovou em julho de 2026 o enlicitide (Lipfendra), primeiro inibidor oral de PCSK9 aprovado para reduzir o LDL em adultos com hipercolesterolemia, incluindo pessoas com hipercolesterolemia familiar heterozigótica. O medicamento é tomado uma vez ao dia e deve ser utilizado junto a dieta e exercícios.
Mas por que isso é tão importante?
🫀 O problema não é apenas ter colesterol alto
O LDL, popularmente chamado de “colesterol ruim”, participa do processo de formação da aterosclerose.
Quando há excesso de LDL circulando no sangue por períodos prolongados, partículas contendo colesterol podem se acumular na parede das artérias e contribuir para a formação de placas de ateroma.
Com o tempo, essas placas podem estreitar os vasos sanguíneos. Se uma placa se rompe, pode ocorrer a formação de um coágulo capaz de interromper o fluxo sanguíneo e provocar eventos como infarto ou AVC.
O problema é que o colesterol elevado geralmente não provoca sintomas.
Uma pessoa pode se sentir perfeitamente bem enquanto apresenta níveis elevados de LDL durante anos.
Por isso, o tratamento não é pensado apenas para “melhorar um exame”.
O objetivo é reduzir o risco cardiovascular ao longo da vida.
📉 Quanto menor o LDL, melhor?
A medicina cardiovascular passou por uma mudança importante nessa questão.
A diretriz americana de dislipidemia publicada em 2026 voltou a estabelecer metas de LDL-C e colesterol não-HDL, além de manter a importância da porcentagem de redução do LDL.
Quanto maior o risco cardiovascular, mais agressiva pode ser a estratégia necessária para atingir a meta individual.
Isso significa que não existe necessariamente um único número de LDL que sirva para todo mundo.
Uma pessoa sem doença cardiovascular conhecida pode ter uma meta diferente de alguém que já sofreu um infarto, apresenta doença aterosclerótica ou possui hipercolesterolemia familiar.
O tratamento moderno está cada vez mais personalizado.
💊 Quando a estatina não é suficiente
As estatinas continuam sendo a terapia de primeira linha para redução do LDL na maioria das situações em que o tratamento medicamentoso é indicado.
Mas nem todos os pacientes chegam à meta utilizando apenas uma estatina.
Algumas pessoas precisam de uma redução adicional do LDL. Outras não conseguem utilizar a dose desejada por causa de efeitos adversos ou intolerância.
É nesse espaço que entram os chamados medicamentos não estatínicos.
Entre as opções atualmente utilizadas estão:
ezetimiba;
ácido bempedoico;
anticorpos monoclonais contra PCSK9, como evolocumabe e alirocumabe;
inclisirana, que utiliza uma tecnologia baseada em RNA;
e, agora, o enlicitide, primeiro inibidor oral de PCSK9 aprovado nos Estados Unidos.
Esses medicamentos não são simplesmente “versões melhores” das estatinas.
Eles atuam em pontos diferentes do metabolismo das lipoproteínas.
É justamente essa diversidade que permite combinar estratégias para determinados pacientes.
🧬 Afinal, o que é PCSK9?
Para entender a novidade do comprimido, precisamos conhecer uma proteína chamada PCSK9.
O fígado possui receptores responsáveis por retirar partículas de LDL da circulação.
A PCSK9 participa da degradação desses receptores.
Quando a atividade da PCSK9 é bloqueada, mais receptores de LDL permanecem disponíveis na superfície das células do fígado.
O resultado é uma maior remoção do LDL do sangue.
É esse mecanismo que os medicamentos anti-PCSK9 exploram.
Os primeiros medicamentos dessa classe foram desenvolvidos como injeções.
A chegada de um inibidor oral representa uma mudança na forma de administração, embora não signifique que ele seja indicado para todas as pessoas com colesterol elevado.
💉 Do medicamento injetável ao comprimido
Os inibidores de PCSK9 já representavam uma importante evolução no tratamento do colesterol.
Anticorpos monoclonais contra PCSK9 podem reduzir significativamente o LDL e demonstraram benefícios cardiovasculares em pacientes de alto risco quando adicionados ao tratamento adequado.
Outra estratégia é a inclisirana, que utiliza pequenos RNAs de interferência (siRNA) para reduzir a produção de PCSK9.
Ela tem uma característica diferente: depois das doses iniciais, a aplicação é realizada em intervalos de seis meses.
Agora surge uma terceira possibilidade:
bloquear a PCSK9 por meio de um comprimido diário.
A aprovação do enlicitide pela FDA representa, portanto, mais do que o lançamento de um novo produto.
Ela mostra como a pesquisa está tentando encontrar diferentes formas de atingir o mesmo objetivo: reduzir o LDL de maneira eficaz e tornar o tratamento possível para diferentes perfis de pacientes.
📱 Existe outro problema: tomar o medicamento corretamente
Existe ainda uma questão que nenhum medicamento consegue resolver sozinho:
adesão ao tratamento.
Uma pessoa pode receber uma prescrição eficaz e, mesmo assim, não alcançar a meta de LDL se não conseguir manter o tratamento de maneira adequada.
Um estudo brasileiro chamado Sapphire-LDL, realizado pelo Hospital Israelita Albert Einstein em parceria com Novartis e epHealth, avaliou uma estratégia digital de acompanhamento e educação de pacientes.
Segundo os resultados divulgados, os participantes submetidos à intervenção apresentaram LDL médio menor e maior proporção de pacientes atingindo a meta após seis meses.
Isso acrescenta uma dimensão importante à nova era do tratamento:
não basta desenvolver medicamentos mais potentes.
Também é necessário descobrir maneiras de fazer com que os pacientes consigam utilizá-los corretamente e tenham acesso a eles.
E no Brasil?
Aqui existe um dos principais desafios.
A existência de novos medicamentos não significa que eles estejam automaticamente disponíveis para todos os pacientes brasileiros.
O acesso depende de aprovação regulatória, indicação clínica, custo, disponibilidade e, no caso do sistema público, de decisões de incorporação às políticas do SUS.
A reportagem sobre o cenário brasileiro destaca justamente que terapias mais recentes, como os inibidores de PCSK9, ainda enfrentam barreiras de custo e acesso no país.
Por isso, falar em “nova era” não significa que as estatinas ficaram ultrapassadas.
Na realidade, o que está acontecendo é diferente:
o tratamento está ganhando mais ferramentas.
🔬 Uma mudança de estratégia
A nova geração de tratamentos mostra uma evolução importante na medicina cardiovascular.
Em vez de pensar apenas em:
“Qual remédio reduz o colesterol?”
a pergunta passa a ser:
“Qual estratégia consegue levar este paciente ao nível de LDL adequado ao seu risco, com segurança e possibilidade real de adesão?”
Essa mudança pode envolver medicamentos diferentes, combinações, tratamentos menos frequentes, novas formas de administração e acompanhamento mais próximo.
E ainda existe outro ponto importante: o colesterol não se resume ao LDL.
As diretrizes mais recentes também ampliaram a atenção para outras partículas e marcadores relacionados ao risco cardiovascular, incluindo lipoproteína(a), ApoB e triglicérides.
O que vem pela frente?
A nova era do tratamento do colesterol não significa abandonar aquilo que já funciona.
As estatinas continuam sendo fundamentais.
A novidade é que, para quem precisa de uma redução maior do LDL ou não consegue utilizar determinados tratamentos, o arsenal terapêutico está aumentando.
E isso pode ser especialmente relevante para pessoas com alto risco cardiovascular, hipercolesterolemia familiar ou dificuldade persistente para atingir suas metas.
Na P2, vamos explicar justamente o que está por trás dessas novas opções: como estatinas, ezetimiba, ácido bempedoico, PCSK9 e inclisirana atuam, quando podem ser combinados e por que dois pacientes com o mesmo LDL podem receber tratamentos completamente diferentes.
Como funcionam os novos tratamentos para o colesterol?
A grande mudança no tratamento do colesterol não está apenas na quantidade de medicamentos disponíveis.
Ela está na possibilidade de agir em diferentes etapas do metabolismo do colesterol, escolhendo a estratégia de acordo com o risco cardiovascular, a resposta ao tratamento e as características de cada paciente.
Hoje, a estatina continua sendo a principal opção para quem precisa de tratamento medicamentoso. Mas, quando a redução do LDL não é suficiente, outras ferramentas podem ser acrescentadas. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias de 2025 recomenda essa intensificação com ezetimiba, terapias contra PCSK9 ou ácido bempedoico, conforme o perfil do paciente.
💊 Estatinas: por que continuam tão importantes?
As estatinas atuam principalmente no fígado, reduzindo a produção de colesterol por meio da inibição da enzima HMG-CoA redutase.
Como consequência, o fígado aumenta a quantidade de receptores de LDL disponíveis para retirar essas partículas da circulação.
O resultado é uma redução do LDL no sangue.
Por décadas, esse mecanismo se tornou uma das principais ferramentas para reduzir o risco de eventos cardiovasculares.
E a evolução dos tratamentos não significa que as estatinas deixaram de funcionar.
Pelo contrário: as diretrizes atuais continuam colocando as estatinas como primeira opção para a maioria das pessoas que têm indicação de tratamento.
A novidade é que hoje o médico pode fazer algo que antes tinha menos alternativas:
combinar mecanismos diferentes.
🧩 Ezetimiba: menos colesterol chegando ao organismo
A ezetimiba atua de uma maneira diferente.
Ela reduz a absorção intestinal do colesterol, diminuindo a quantidade que chega ao fígado.
Com menos colesterol disponível, o fígado aumenta a retirada de LDL da circulação.
Por isso, estatina e ezetimiba podem funcionar de maneira complementar.
A combinação é particularmente interessante quando o paciente precisa de uma redução maior do LDL do que aquela obtida apenas com a estatina.
A Diretriz Brasileira de 2025 recomenda a associação de estatina com ezetimiba como alternativa quando é necessária uma redução de LDL de 50% ou mais e também recomenda acrescentar ezetimiba quando o paciente permanece acima da meta apesar da dose máxima tolerada de estatina.
🧬 PCSK9: aumentando a capacidade do fígado de retirar LDL
Os medicamentos que atuam sobre a PCSK9 utilizam outro caminho.
Como vimos na P1, essa proteína participa da degradação dos receptores de LDL presentes nas células do fígado.
Quando a PCSK9 é bloqueada, mais receptores permanecem disponíveis.
Isso permite que o fígado retire mais LDL do sangue.
É uma estratégia particularmente importante para pessoas que precisam de uma redução adicional significativa do colesterol, incluindo alguns pacientes de muito alto risco e pessoas com hipercolesterolemia familiar.
Os primeiros medicamentos dessa classe foram desenvolvidos como injeções.
Depois surgiu uma estratégia ainda diferente:
a inclisirana.
🧬 Inclisirana: em vez de bloquear a proteína, reduzir sua produção
A inclisirana utiliza uma tecnologia chamada siRNA, ou RNA de interferência.
Em vez de simplesmente bloquear a PCSK9 já produzida, ela interfere no processo que leva à produção dessa proteína no fígado.
O objetivo final é semelhante:
menos PCSK9 → mais receptores de LDL → maior remoção de LDL da circulação.
Uma característica que chama atenção é a frequência de administração.
Depois das doses iniciais, a inclisirana pode ser administrada em intervalos de seis meses, o que pode ser interessante para determinados pacientes que têm dificuldade de manter tratamentos administrados com maior frequência.
Isso mostra uma tendência importante da medicina moderna:
não basta pensar apenas em eficácia; a forma de administrar o tratamento também importa.
💊 Ácido bempedoico: outra alternativa para quem não tolera estatinas
O ácido bempedoico atua em uma etapa anterior da mesma rota de produção de colesterol que envolve as estatinas.
Mas existe uma diferença importante em relação ao local de atuação.
Ele é ativado principalmente no fígado e não nos músculos, característica que tornou o medicamento uma alternativa relevante para alguns pacientes que apresentam intolerância às estatinas.
A diretriz brasileira recomenda considerar o ácido bempedoico em pessoas intolerantes às estatinas que continuam acima da meta mesmo utilizando ezetimiba.
Isso não significa que qualquer dor muscular durante o uso de estatina seja automaticamente uma “intolerância”.
A própria diretriz recomenda uma avaliação estruturada dos sintomas e estratégias como ajuste de dose, troca da estatina ou combinação com outros medicamentos antes de simplesmente abandonar o tratamento.
🔄 Por que combinar medicamentos?
Imagine que o paciente esteja utilizando uma estatina, mas a redução obtida ainda não seja suficiente para atingir sua meta.
Existem duas possibilidades.
A primeira seria simplesmente aumentar a intensidade do tratamento.
A segunda é atacar o problema por outro caminho.
É aí que entram as combinações.
Por exemplo:
Estatina → reduz a produção de colesterol
Ezetimiba → reduz a absorção intestinal
Anti-PCSK9 → aumenta a retirada de LDL pelo fígado
São mecanismos diferentes trabalhando simultaneamente.
A Diretriz Brasileira de 2025 inclusive passou a recomendar estratégias combinadas precoces para determinados pacientes de alto, muito alto e extremo risco cardiovascular.
🎯 O mesmo LDL pode exigir tratamentos diferentes
Esse é um dos pontos mais importantes da nova abordagem.
Duas pessoas podem apresentar exatamente o mesmo resultado de LDL no exame e, ainda assim, não ter o mesmo risco cardiovascular.
Imagine duas pessoas com LDL de 150 mg/dL.
Uma pode ser jovem, sem doença cardiovascular conhecida e sem outros fatores importantes de risco.
A outra pode já ter sofrido um infarto ou apresentar doença aterosclerótica estabelecida.
O número é igual.
O risco não é.
Por isso, a decisão terapêutica não deve ser baseada apenas no valor isolado do LDL.
A diretriz americana de 2026 voltou a utilizar metas de LDL-C e colesterol não-HDL associadas ao nível de risco cardiovascular, mantendo também a importância da porcentagem de redução do LDL.
🫀 Quanto maior o risco, mais agressiva pode ser a estratégia
Para pessoas que já apresentam doença cardiovascular aterosclerótica e estão em risco muito elevado, a diretriz americana de 2026 recomenda uma meta de LDL-C inferior a 55 mg/dL.
Isso ajuda a entender por que determinados pacientes podem precisar de dois ou até três mecanismos de tratamento.
Na Diretriz Brasileira de 2025, a estratificação também foi ampliada, incluindo uma categoria de risco extremo, para a qual foi estabelecida uma meta de LDL-C inferior a 40 mg/dL.
Portanto, a pergunta moderna não é:
“Qual é o LDL normal?”
Mas sim:
“Qual é a meta adequada para o risco cardiovascular desta pessoa?”
🧪 E o colesterol não é a única coisa que importa
Outra mudança importante é que a avaliação cardiovascular está deixando de olhar exclusivamente para o LDL.
A diretriz americana de 2026 destaca também a importância de outras partículas e marcadores, como:
lipoproteína(a), ou Lp(a);
Apolipoproteína B (ApoB);
partículas remanescentes relacionadas aos triglicérides;
colesterol não-HDL.
A Lp(a), por exemplo, pode representar um fator de risco hereditário que não aparece claramente em um perfil lipídico convencional.
Por isso, a diretriz recomenda que adultos tenham a Lp(a) medida pelo menos uma vez na vida, enquanto a ApoB pode ser útil em situações selecionadas para identificar risco residual que o LDL isoladamente pode não revelar.
Isso amplia bastante a maneira como o risco cardiovascular é analisado.
⚠️ E os medicamentos mais novos: são realmente melhores?
Não necessariamente.
Essa é uma distinção importante para não transformar uma matéria de saúde em propaganda de medicamentos.
Um tratamento mais novo pode oferecer uma vantagem específica — por exemplo, outro mecanismo de ação, uma frequência diferente de administração ou uma alternativa para quem não tolera determinado medicamento.
Mas isso não significa que seja automaticamente melhor para qualquer pessoa.
Um exemplo é o próprio enlicitide, o novo inibidor oral de PCSK9 aprovado pela FDA em julho de 2026.
Os estudos demonstraram redução importante do LDL, mas uma publicação no New England Journal of Medicine chamou atenção para uma limitação relevante: os estudos disponíveis avaliaram principalmente desfechos lipídicos, e ainda não permitem concluir completamente qual será o impacto de longo prazo do medicamento sobre eventos cardiovasculares.
Reduzir o LDL é importante.
Demonstrar redução de infarto e AVC ao longo dos anos é uma pergunta diferente.
Essa diferença entre resultado laboratorial e benefício clínico de longo prazo é fundamental quando surgem novas terapias.
🧠 O tratamento está ficando mais individualizado
A nova era do colesterol não é simplesmente a era dos “remédios mais fortes”.
É a era de mais opções para diferentes necessidades.
Um paciente pode precisar apenas de estatina.
Outro pode precisar de estatina mais ezetimiba.
Um terceiro pode precisar de uma terapia direcionada à PCSK9.
Uma pessoa com intolerância à estatina pode seguir outro caminho.
E alguém com risco cardiovascular extremamente elevado pode precisar de uma combinação mais intensa desde o início.
O tratamento passa, portanto, a considerar:
risco cardiovascular + meta de LDL + resposta ao tratamento + tolerabilidade + adesão + características individuais.
É uma mudança importante em relação à ideia de que existe um único tratamento para todos.
🌎 O desafio agora é transformar inovação em acesso
A ciência está criando novas ferramentas.
Mas existe uma distância entre um tratamento aprovado e um tratamento acessível para milhões de pessoas.
Preço, disponibilidade, incorporação aos sistemas de saúde, acompanhamento médico e adesão continuam sendo obstáculos.
E isso significa que a nova era do colesterol não será definida apenas pelos medicamentos que conseguirmos desenvolver.
Também será definida por nossa capacidade de fazer com que as pessoas certas tenham acesso ao tratamento certo e consigam mantê-lo ao longo do tempo.
O que essa mudança pode representar?
O futuro do controle do colesterol provavelmente não será dominado por um único medicamento.
Será uma combinação de estratégias capazes de atuar em diferentes mecanismos, com metas definidas de acordo com o risco cardiovascular de cada pessoa.
E, talvez mais importante, o colesterol será cada vez menos analisado como um número isolado em um exame e cada vez mais como parte de uma avaliação completa do risco cardiovascular.
FAQ
Quem tem colesterol alto precisa tomar estatina?
Nem sempre. A indicação depende do risco cardiovascular global, dos níveis de LDL e de outros fatores clínicos. A estatina continua sendo a primeira opção medicamentosa para grande parte dos pacientes com indicação de tratamento.
Quem toma estatina e não atinge a meta precisa aumentar a dose?
Não necessariamente. Dependendo do caso, o médico pode associar ezetimiba ou outra terapia, em vez de simplesmente aumentar a dose.
Os medicamentos contra PCSK9 substituem as estatinas?
Não de forma geral. Eles podem ser usados em situações específicas, inclusive em combinação com estatinas e outros medicamentos.
Inclisirana é uma estatina?
Não. É uma terapia baseada em siRNA que reduz a produção de PCSK9 no fígado.
Um LDL baixo elimina o risco de infarto?
Não. O risco cardiovascular envolve diversos fatores além do LDL, incluindo pressão arterial, tabagismo, diabetes, histórico familiar, Lp(a), triglicérides e doença aterosclerótica já existente.
Um medicamento novo é necessariamente melhor?
Não. É preciso avaliar eficácia, segurança, evidências de longo prazo, indicação, custo e perfil individual do paciente.
Conclusão
A nova era dos tratamentos contra o colesterol não representa o fim das estatinas.
Representa algo mais interessante: um arsenal terapêutico cada vez maior e mais específico.
Estatinas, ezetimiba, ácido bempedoico, terapias contra PCSK9 e inclisirana permitem que o tratamento seja adaptado às necessidades de diferentes pacientes.
Ao mesmo tempo, novas tecnologias, como o enlicitide oral, mostram que a pesquisa continua tentando tornar o controle do LDL mais eficaz e, em alguns casos, mais conveniente.
Mas inovação precisa vir acompanhada de evidência.
Reduzir o colesterol é apenas uma parte da história. O objetivo final continua sendo reduzir o risco de infarto, AVC e outras complicações cardiovasculares, com um tratamento seguro, individualizado e sustentável.
Fontes
American Heart Association — Diretriz de Dislipidemia 2026.
Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose — 2025.
U.S. Food and Drug Administration — aprovação do enlicitide.
New England Journal of Medicine — discussão sobre os estudos do enlicitide.
Aviso importante
Esta matéria tem finalidade informativa e educativa. A escolha do tratamento para colesterol depende do risco cardiovascular individual, histórico médico, exames, possíveis efeitos adversos e avaliação de um profissional de saúde. Não interrompa ou altere medicamentos por conta própria.


O que dizem sobre este conteudo
Ainda nao ha comentarios aprovados.